
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse no domingo que o Irã entrou em contato com representantes norte-americanos e propôs negociações após ele ameaçar agir em resposta à repressão a manifestações contra a crise econômica no Irã. Trump disse estar em diálogo com Teerã para organizar uma reunião
O presidente norte-americano alertou, porém, que pode ter que agir primeiro, à medida que aumentam os relatos sobre o número de mortos no Irã e o governo continua a prender manifestantes. “Acho que eles estão cansados de ser atacados pelos Estados Unidos”, disse Trump, a bordo do avião presidencial, no trajeto entre a Flórida e Washington. “O Irã quer negociar.”
Enquanto isso, o número de mortos pela repressão à onda de protestos no Irã subiu para 538, informou a Iran Human Rights, uma organização não governamental com sede na Noruega que monitora a situação no país. Outras 10.600 pessoas foram detidas durante as duas semanas de protestos, segundo a entidade.
O mais recente balanço de mortes nos protestos contra o regime teocrático do aiatolá Ali Khamenei ocorre em meio à denúncias de violência policial feitas por manifestantes. O chefe da polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan, afirmou no domingo que “o nível de confronto contra os manifestantes se intensificou”. Enquanto isso, mais protestos foram convocados.
O governo do Irã descreveu a luta contra o que chamou de “tumultos” como uma “batalha de resistência nacional iraniana contra os Estados Unidos e o regime sionista”.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, prometeu abordar as queixas econômicas, mas não mostrou sinais de recuar de uma severa repressão. Ao contrário: ele conclamou a população a participar de uma “marcha de resistência nacional” com manifestações em todo o país a serem realizadas nesta segunda-feira, para denunciar a violência, que o governo atribuiu a “criminosos e terroristas urbanos”, informou a televisão estatal.
“Nosso dever é resolver e atender às queixas do povo. Mas também temos o dever de não deixar que manifestantes desestabilizem o país”, disse o presidente, Masoud Pezeshkian, em uma entrevista à televisão estatal iraniana no sábado.
Ele falou enquanto os manifestantes no Irã enfrentam uma repressão intensificada e letal por parte das autoridades. À medida que os protestos escalam, a teocracia do Irã parece cada vez mais vulnerável, e altos funcionários procuraram culpar os Estados Unidos e Israel, dizendo que ambos apoiam os manifestantes.
As instalações militares e nucleares do Irã foram danificadas por uma guerra de 12 dias com Israel em junho passado, e o país vem em uma grave crise econômica após a reativação de sanções econômicas da ONU no ano passado.
Aumentando a pressão, o presidente Trump disse que poderia atacar o Irã se as autoridades matassem manifestantes pacíficos, e vários funcionários dos EUA disseram ao The New York Times no sábado que ele foi informado sobre novas opções de ataques militares.
O novo balanço de mortes nos protestos contra o governo do aiatolá Ali Khamenei, que tomaram as ruas do país há quase duas semanas, ocorre em meio a denúncias de violência policial feitas por manifestantes. Iranianos ouvidos por jornais dos EUA e do Reino Unido afirmaram que policiais atiraram contra manifestantes ao longo das mais de 100 cidades que registraram protestos pelo país.
Ameaça aos EUA e Israel em ‘alerta máximo’
O Irã afirmou que atacará alvos militares e navios dos EUA no caso de um ataque dos Estados Unidos em apoio aos manifestantes durante a onda de protestos em curso no país, afirmou o presidente do parlamento no domingo. Em meio aos protestos, a Guarda Revolucionária do Irã, organização militar que tem como foco a defesa do regime Khamenei, afirmou que proteger a “segurança nacional é um ponto inegociável”.
Do outro lado, as Forças Armadas dos EUA afirmaram que, no Oriente Médio, estão “posicionadas com forças que abrangem toda a gama de capacidade de combate para defender nossas forças, nossos parceiros e aliados e os interesses dos EUA”.
Tais ameaças ganharam força após a captura de, Nicolás Maduro, pelas forças dos EUA, no início deste mês. “Se os Estados Unidos tomarem ação militar, tanto os territórios ocupados quanto as rotas militares e marítimas dos EUA serão nossos alvos legítimos”, disse Mohammed Ghalibaf, presidente do parlamento do Irã, em um comunicado no domingo, de acordo com a agência de notícias semi-oficial do Irã, Tasnim. Bases militares dos EUA e de Israel também poderiam ser alvos, ele acrescentou.
A crescente tensão, fez o exército de Israel disse estar “preparado defensivamente” para qualquer ataque, enquanto o primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu, elogiou os manifestantes. “Israel apoia a luta deles pela liberdade e condena firmemente os assassinatos em massa de civis inocentes”, disse ele. “Todos nós esperamos que a nação persa em breve seja libertada do jugo da tirania, e, quando esse dia chegar, Israel e Irã serão novamente parceiros fiéis”.
Mulheres desafiam regime queimando foto do líder supremo
Mulheres estão realizando um novo protesto simbólico contra o regime do Irã, combinando a queima de fotos do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, com o ato de fumar, prática historicamente estigmatizada para mulheres na região. A ação desafia simultaneamente a autoridade do regime e as normas sociais impostas às mulheres, em meio a protestos generalizados no país.
As imagens do protesto feminino estão ganhando força nas redes sociais. Embora se acredite que parte dos vídeos e fotos tenha sido produzida no Irã, o primeiro vídeo viral foi gravado por uma mulher iraniana residente em Toronto, no Canadá, segundo a mídia internacional.
A iniciativa marca um novo capítulo nos protestos liderados por mulheres no país, que ganharam atenção internacional após a morte de Mahsa Amini em 2022. Desde então, atos simbólicos como cortar o cabelo ou queimar véus islâmicos se tornaram manifestações recorrentes contra as restrições de gênero.
(Fonte: jornaldocomercio)











